O simbolismo de Cowboy Carter

No dia 29 de março de 2024  Beyoncé lançava segunda parte do Renaissance e junto com ele uma nova estética para o álbum. Segundo palavras da cantora.
 ``Nasceu de uma experiência que tive anos atrás onde não me senti bem-vinda… E ficou claro para mim que eu não era. Mas, por causa dessa experiencia, eu mergulhei fundo na história da música country e estudei nosso rico arquivo musical``.

Foto: Parkwood Entertainment/Columbia



Oito anos atrás, fazia uma apresentação com The Chicks no Country Music Awards e deixou os críticos chatos de cabelo em pé, achando que ela não se "encaixava", desde então Beyoncé fez uma revolução. Trouxe a vibe da cultura universitária negra para o Coachella, mostrou a diáspora africana na Disney e transformou as lutas sociais em pura energia na pista de dança, dando voz e visibilidade ao ballroom LGBTQIAP+ e à house music.

Seu oitavo álbum é mais um daqueles momentos de pura recuperação e celebração. É também profundamente pessoal; enquanto ‘Renaissance’ foi uma homenagem ao seu tio Johnny - aquele que Beyoncé carinhosamente chamava de “minha madrinha” - ‘Cowboy Carter’ mergulha fundo na sua linhagem texana, nas raízes de Beyoncé e no nome de solteira de sua mãe. Embalado na sua mistura única de influências ecléticas, ‘Cowboy Carter’ não é um álbum country tradicional - ele também incorpora blues, funk, folk, soul, ópera e aquele rap característico do sul.

Foto: Instagram/Reprodução





A essa altura da carreira dela seria até sem lógica querer colocar rótulos do que a Beyoncé pode ou não fazer. Poderoso como ela, o álbum leva voz a cultura country.


 O visual 

A arte da capa principal de "Cowboy Carter" apresenta um simbolismo americano marcante reminiscente de um rodeio: Beyoncé, com cabelo platinado ao vento, montada em um cavalo branco em plena corrida. A cena é repleta de elementos como couro, botas de cowboy e um chapéu branco impecável; cores vermelho, branco e azul dominam a composição



“A capa do álbum de Beyoncé faz todo o sentido para os Black Texans”, escreveu o colunista convidado Taylor Crumpton para a Bloomberg

Fãs de Beyoncé interpretaram a presença da bandeira como um gesto de  assumindo o controle de sua “americanidade”.. Tory Shulman, especialista em história da arte e apresentadora do programa de notícias do YouTube Daily Blast Live, observou que Beyoncé estava "reivindicando o patriotismo" através da imagem, comparando-a às pinturas que glorificam figuras históricas como Napoleão e George Washington.



Para muitos texanos negros e outros afro-americanos com raízes na cultura country, a imagem de Beyoncé montada, com a bandeira e o chapéu de cowboy, transmitiu uma mensagem como uma  homenagem às estrelas negras do rodeio, especialmente às rainhas do rodeio que carregam a bandeira americana após uma vitória.


Beyoncé reivindicando espaços


O álbum destaca a importância da representatividade e diversidade cultural. Apesar de suas raízes negras, o country teve um embranquecimento, onde trabalhos de artista negros foi rudemente esnobado e ignorado.
Músicos renomados do cenário country estão envolvidos no projeto Cowboy Carter. Entre eles está Linda Martell, uma pioneira artista negra que alcançou grande sucesso no gênero durante as décadas de 60 e 70. Sua contribuição pode ser ouvida na faixa intitulada "The Linda Martell Show".
Linda Martell foi a pioneira entre artistas negras a se apresentar no Grand Ole Opry House, o mais prestigiado local de música country do mundo.
Beyoncé lidera um grupo de outras quatro cantoras negras na nova versão de "Blackbird". Tanner Adell, Brittney Spencer, Tiera Kennedy e Reyna Roberts compõem o quinteto nesta interpretação da música originalmente escrita pelos Beatles.

Além disso, o projeto conta com a participação de outros artistas, como Willie Nelson ("Smoke Hour"), Willie Jones ("Just for Fun"), Miley Cyrus ("II Most Wanted"), Post Malone ("Levii's Jeans") e Shaboozey ("Spaghetti" e "Sweet, Honey, Buckin"). A filha mais nova da artista, Rumi Carter, também contribui para o álbum na faixa "Protector".
 

Brasil no álbum 


A batida de "Aquecimento das Danadas" do DJ Mandrake foi incorporada à música "Spaghetti", onde a artista combina a influência do funk brasileiro com o ritmo do rap, criando uma faixa dançante e envolvente.

Act ii: Beyincé

A frase presente na faixa utilizada por Beyoncé na capa da edição especial do Cowboy Carter gerou questionamentos nas redes sociais. No entanto, o nome em destaque é uma homenagem da artista ao seu avô materno, Lumis Beyincé.

Essa homenagem ancestral também remonta ao significado por trás do primeiro nome da artista. Tina Knowles, mãe de Beyoncé, já explicou em algumas entrevistas que o nome da cantora foi um presente, uma vez que o sobrenome de Tina foi registrado com a letra "o" em vez da "i".

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